Depressão: como vem e como se supera parte I
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Autor Tópico: Depressão: como vem e como se supera parte I  (Lida 2237 vezes)
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« : 07 Maio, 2010, 07:11:33 »

Mensagem Pastor Isaltino Gomes Coelho Filho


Depressão: como vem e como se supera
O título da mensagem é este: Depressão – como vem e como se supera. Nosso texto é sobre um dos personagens de vida mais entusiástica, eufórica e vitoriosa – Elias – que um dia também mergulhou numa das maiores crises de depressão que um homem mergulhou em toda a Bíblia. Para conhecê-la, leiamos 1Reis 19 até a primeira frase do versículo 5.
Ora, Acabe fez saber a Jezabel tudo o que Elias havia feito, e como matara à espada todos os profetas. Então Jezabel mandou um mensageiro a Elias, a dizer-lhe: assim me façam os deuses, e outro tanto, se até amanhã a estas horas eu não fizer a tua vida como a de um deles. Elias teve medo, e correu para salvar a sua vida. Quando chegou a Berseba, que pertence a Judá, deixou ali o seu moço. Ele mesmo, porém, foi ao deserto, caminho de um dia. Chegou, assentou-se debaixo de um zimbro e pediu para si a morte, dizendo: Já basta, ó Senhor. Toma agora a minha vida, pois não sou melhor do que meus pais. E deitando-se, dormiu debaixo do zimbro.
Não faz muito sentido a história. Elias fugiu da morte e pediu a morte. Ora, se queria morrer ficasse onde estava que morreria, e se fugiu da morte não a pedisse. Jezabel manda um recado. O nosso texto não capta a sutileza da língua hebraica. O texto é acompanhado de um gesto: “Amanhã me façam os deuses”, com a mão passando pelo pescoço, “se eu não fizer assim contigo, se amanhã eu não te matar que esses deuses a quem eu sirvo me matem”. Então Elias, para fugir da morte, foge e depois pede a Deus a morte. Realmente não tem nenhum sentido, mas Elias está em profunda depressão. É a depressão que leva a pessoa a desesperar da vida e pedir a morte. É depressão que leva as pessoas a entregar os pontos por completo e não desejar mais nada.
Esta depressão de Elias vem num momento  contexto completamente sem nexo. A história não bate. Ele acabou de enfrentar 450 profetas de Baal. Baal é o nome genérico. Significa senhor, dono, possuidor, marido. Provavelmente era Melcarte,  o baal que Jezabel havia trazido para Israel, uma divindade associada ao rito da fecundidade com culto oficiado por sacerdotisas prostitutas. Elias desafia os 450 profetas, despeja 120 litros de água em cima de um sacrifício de um animal e pede que caia fogo do céu. O fogo cai e consome, enquanto que os profetas de Baal ficaram pulando, gritando e se retalhando com faca durante quatro horas, pedindo que aquilo acontecesse. Uma vitória estrondosa, mas logo após elas Elias mergulha numa crise de depressão.
Depressão não é necessariamente desânimo. Uma pessoa pode estar desanimada com o seu trabalho, desanimada (o que é trágico)  com o seu casamento. Desanimada com estudos, muitas coisas, mas estar empolgada com outras. A depressão é uma entrega de pontos. A pessoa está desanimada em todas as áreas. Não tem vontade de se envolver em nenhuma atividade, não quer comer, não tem sono, ou tem excesso de sono, porque a apatia traz o abatimento físico. Não tem entusiasmo em área nenhuma. É realmente uma entrega de pontos. Não raro, quando é muito aguda, a pessoa tem vontade até de morrer. É o que leva muita gente ao suicídio. Ou o indivíduo está absolutamente tresloucado emocionalmente, e não raciocina, ou alcançou um estágio de depressão tão profundo que desistiu do que é mais forte no homem, o instinto de sobrevivência.
Como é que a depressão vem? É importante saber porque ela pode vir sobre nós. E depois saber como se supera a depressão. Isso é mais importante, porque acho que ninguém diz: “Estou querendo ficar deprimido para ver como é”. Provavelmente alguém deprimido diz assim: “Eu gostaria de saber como sair dessa depressão”. Então dividi o nosso assunto em duas partes: primeiro, o que causa a depressão; segundo, como se supera a depressão.
Fiquemos com o primeiro. O que causa a depressão?
No caso de Elias,  esgotamento físico. Este é o primeiro elemento na vida de Elias. Ele teve que travar uma luta muito dura. Quando lemos a história do capítulo anterior, ele enfrentando os profetas de Baal, lemos isto em vinte minutos e pensamos que isto durou vinte minutos. Isso durou uma manhã inteira e foi uma manhã de bate-boca e acusações. Por trás disto já veio um processo de desgaste emocional que se arrastava há alguns meses. Então tensão, briga, discussão, recado para lá e para cá, olhar enviesado, palavra malcriada, agora um momento de cansaço. Viu a ameaça de Jezabel e ele ainda anda um dia inteiro a pé. Depois deixa o moço que é seu ajudante e entra deserto adentro. Deserto não é um lugar muito agradável. Elias está cansado fisicamente.
Vamos parar um pouco aqui. Isto pode parecer como aquele personagem de Machado de Assis, o conselheiro Acácio, que dizia assim: “Se está chovendo não saias que vais te molhar”. Pode parecer acaciano mas é preciso parar um pouco aqui. Nossas igrejas zelam muito por mordomia do corpo. Não aceitam pessoas que fumam, que bebem, mas às vezes não levam a mordomia do corpo a todas as suas implicações. Há pessoas que são absolutamente indisciplinadas, no tocante ao trabalho. Elas não conseguem desligar. Me lembro numa ocasião que eu estava numa praia e encontrei um pastor. Ele ficou muito feliz porque me encontrou. Estávamos lá os dois, de férias. Ele chegou e disse: “Foi bom encontrar com você, eu queria tirar uma dúvida e lhe perguntar sobre a raiz de um verbo hebraico”. Eu disse: “Estou na praia com a minha esposa, desliga, esquece estas coisas”. Mas é aquela pessoa que não consegue parar de pensar nas suas atividades profissionais. Quando Deus instituiu um dia na semana para descanso não foi para que se idolatrasse este dia. Foi porque nós precisamos de repouso. Nenhum de nós pode viver em constante atividade, sem lazer, sem um momento de ócio, sem curtir a família, sem curtir o seu próprio espaço. Aquele momento em que chega e diz assim: “Não quero saber de nada”.
Quando estava em Brasília, na administração da Faculdade Teológica Batista e não tinha o telefone de nenhum professor em casa. Não tinha uma folha de papel em casa, não tinha o programa de nenhuma disciplina. Um dia um aluno me liga, sábado, às 5 horas da manhã. Coisa de aluno, nenhuma pessoa normal liga para mim às cinco da manhã:  “Professor, estou viajando e sei que vai ter uma prova na semana que vem e queria saber qual a matéria”. Eu disse: “Não sei”. “Como não sabe? Você não é o professor?”.  “Você é o aluno, eu não trago nada para casa”. Numa ocasião em que saí de férias, o Tesoureiro me disse: “Professor, deixe o telefone para onde o senhor vai, caso tenha algum problema”. Eu disse: “Não ligue. Se quando eu voltar a Faculdade tiver pegado fogo, vou procurar um emprego, mas não me ligue”. Há um momento de desligar. Não se pode viver em tensão constante. Há pessoas que não conseguem, levam trabalho para casa, levam trabalho para as férias, levam uma pasta para a cama. O rival da esposa é a pasta de trabalho. Ele vai conversar sobre as atividades profissionais, é aquela pessoa que não consegue desligar em momento nenhum.
Lembram de Jesus com os discípulos? Eles voltam de uma caminhada e de um trabalho duro e em vez de pedir um relatório o que Jesus disse para eles? “Vinde à parte e descansai um pouco”. Ele sabia como descansar. Já viram homem mais enérgico do que Jesus? “E percorria Jesus incessantemente todas as aldeias e vilas de Israel”. Ele andava aquilo tudo à pé. Mas já observaram como Jesus tinha momentos de lazer? Constantemente estava almoçando com alguém, na casa de alguém, tinha momentos de refrigério. Isso não é auto-ajuda, nem questão de massagear o ego. É questão de bom senso. Saber descansar, saber desligar.
Elias veio de uma jornada  de trabalho muito intensa e depois da jornada intensa, desgastante do ponto de vista físico e emocional, ele ainda faz uma longa viagem à pé. Carregando agora consigo um outro fardo que põe sobre os ombros que é a ameaça de Jezabel. Empilhando coisas sobre os seus ombros, ele vai acabar se envergando. Vai empilhando coisas sobre si até o momento em que não agüentará mais.
Segundo elemento que causa depressão. Falta de noção de valor.
Agora a questão já muda. Ele enfrentara 450 homens (é muito homem) e  foge de uma mulher. É difícil de entender. É verdade que essa mulher não era fácil. Se Jezabel fosse casada com Manassés (são épocas diferentes), cada filho que nascesse deveria ser morto na hora porque seria sem dúvida o anti-cristo, antes da época. Se Manassés é o pior homem da Bíblia aqui está a pior mulher da Bíblia. Mas ele resolveu fugir de Jezabel. Este homem que enfrentou 450 homens e se dispôs a morrer na batalha com eles, foge de uma mulher e foge apavoradamente, anda um dia inteiro e depois vai para um deserto onde ninguém poderá achá-lo. Ele está perturbado emocionalmente. Mas é falta de noção de valor. Ora, um homem que vivera experiências tão profundas com Deus não devia temer. Por que entramos em depressão? Porque não temos noção de valor próprio. Se lembrássemos o quanto Deus nos ama e se interessa por nós, se lembrássemos de nossas experiências do passado, de como Deus cuidou de nós, de como nos livrou, não teríamos nenhum motivo para nos sobressaltar com as dificuldades que aparecem eventualmente sobre nós. Quem enfrentou 450 homens e se dispôs fisicamente no bate-boca, inclusive apostando a sua própria vida, não deveria ter medo de um recado mandado por uma mulher. Ele esqueceu que vivera uma experiência muito profunda com Deus. Esquecimento de Deus, esquecimento de seu valor pessoal, esquecimento de que Deus participa de nossas vidas. Você tem no seu passado alguma experiência com Deus? Como Deus lhe falou, como resolveu um problema que parecia insolúvel, como abriu portas que pareciam cerradas? Por que é que você está com medo do problema de agora? Você não tem experiência no passado de ter superado uma crise muito maior? Por que vai ter medo das dificuldades que vem agora? Se em ocasiões pretéritas o cuidado de Deus se manifestou na sua vida deixará de se manifestar no futuro? Quem viveu com Deus nunca pode esquecer o que viveu com ele. Falta de noção de valor, abandono da comunhão com Deus, esquecimento do poder de Deus, de quem era Deus, de quem era ele. Espera aí, quem é Jezabel? “Eu sou um profeta de Deus”, era para ele dizer. “E quem são estes deuses de Jezabel? Não valem nada, não responderam. Aqueles 450 homens ficaram pulando a manhã inteira, ficaram se retalhando com facas de pedra e não conseguiram nada e eu orei e Deus respondeu. Por que é que vou me preocupar com os deuses de Jezabel?”.  Ele não só deixou de valorizar-se a si mesmo como deixou de valorizar a Deus. Quando nos esquecemos de quem é Deus e do quanto ele pode fazer por nós mergulhamos em depressão.
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